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26 janeiro 2013

EU QUERO UM VESTIDO! (por Gyrlene Medeiros)


Para algumas mulheres, o vestido é a peça essencial. Para outras, é apenas a obrigação de algo marcante de gênero. Para mim, é algo inegociável. Odeio, mas preciso ter. Dentre todas as roupas do meu "closet", o que mais amo são as calças, blusas com decote e os shorts que contornam as minhas pernas. 
Para algumas pessoas, gosto muito de me expor, mas do que importa eu gostar de me expor se eu tenho os mesmos direitos de todos os outros? Por que eu deveria me importar com a decência se muitas pessoas passam diante de mim esfregando em minha falta de condições "Chanel", "Prada", "Calvin Klein", "D&G", "Victoria's Secret" entre outros sonhos desvairados de consumo?
NÃO! Definitivamente eu não estou burlando leis. Mas, espera! Lembro-me que, sempre ao sair de casa, pego minha bolsa vagabunda de um mercado pirata, meu celular de marca popular e modelo ultrapassado, meus sapatos de loja de departamento na moda, e dou uma bela olhada no espelho. Sinto-me bem pelo que sou, pois SOU CAPAZ. Capaz de quê? Talvez de seduzir; de receber um elogio no ônibus; de (pelo amor de Deus), ao menos uma vez, ser desejada. Abuso nos decotes, em mostrar meus contornos. O que realmente quero oferecer às pessoas que me olham?
Um grito que nunca se cala na sociedade é a tal da moral. Por onde passo, vejo mães escondendo o rosto de seus filhos, mas não é por medo de eu olhar para eles e sim por medo de eles olharem para mim. São mães tão preocupadas, mas não entendia o motivo de tanto resguardo. Vejo homens com suas esposas e filhos com olhar de cobiça, porém outros (poucos) olham para outro lugar como se eu não estivesse passando. Mas por quê eu deveria me importar com isso? Sou gostosa e gosto de me sentir assim!
Outro dia, ouvi um senhor, sábio, conhecido na cidade. Já era cego. Sentei-me ao lado dele para descansar num dos bancos na rua e ele começou a conversar comigo:
- Olá, minha filha!
Respondi-lhe cordialmente e ouvi o que me disse:
- Você conhece muito bem um guarda-roupas feminino, não é?
- Sim, senhor.
- Pois bem, lembro-me de quando a minha "velha" era viva e tecia seus próprios vestidos de chita. Oh! Quão linda ela ficava quando eu chegava do roçado com o carro de mão, e ela estava lá, a me esperar com os cabelos penteados regados ao óleo de coco. Eu sentia muitos ciúmes dela quando íamos à cidade, pois, a simplicidade dela chamava a atenção e, a sua postura, atraía a todos. Minha filha, não entendo a necessidade que uma mulher tem de querer se sentir desejada pelas partes do corpo que mostra, se depois reclama que os homens só a usam e as outras mulheres só sentem repúdio. O vestido, aquele vestido repleto de informações que acalentavam a minha alma, com o cheiro das flores que ela impregnou em mim, nunca vou esquecer.
Foi aí que percebi que o meu jeito de pensar estava completamente sem propósito. Vi o quanto sou evitada por pessoas de bem e sou cobiçada por cafagestes, mas não se trata apenas de decência, trata-se de muito mais, de boa convivência, de respeito com as pessoas que gostam de caminhar com seus filhos, de sair com seus esposos sem precisar se preocupar se a sua família será destruída. Observei que as mulheres mais elegantes do mundo se amam e não precisam ser vulgares para isto.

EU QUERO UM VESTIDO!

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