Total de visualizações de página

29 março 2011

Condição de Rio...


Olá, pessoas! Nesta postagem quero expressar uma novidade para mim, a qual abriu os meus olhos desde o momento em que estudei na faculdade e não me tem permitido pensar em outra coisa. Há dias! Ao ouvir em uma das minhas aulas de Literaturas Pós-coloniais que o ser humando vive em "condição de rio", eu parei para pensar e me indagar: qual seria a condição de rio? Essas ideias começaram a surgir depois da leitura de dois textos por título "A Terceira Margem", sendo um de Caetano Veloso (música) e o outro de Guimarães Rosa (conto). Com a orientação da minha professora que também é poetisa e ocupa uma cadeira na Academia Maranhense de Letras, Ana de Santana, pude observar que nós vivemos a condição de rio por estarmos sempre nos modificando. Um trecho de um poema escrito por João Cabral de Melo Neto, escritor que enfatizava esta condição, diz assim:
Sempre pensara em ir caminho do mar. Para os bichos e rios nascer já é caminhar. Eu não sei o que os rios têm de homem do mar; sei que se sente o mesmo e exigente chamar. Eu já nasci descendo a serra que se diz do Jacarará, entre caraibeiras de que só sei por ouvir contar (pois, também como gente, não consigo me lembrar dessas primeiras léguas de meu caminhar). Deste tudo que me lembro, lembro-me bem de que baixava entre terras de sede que das margens me vigiavam. Rio menino, eu temia aquela grande sede de palha, grande sede sem fundo que águas meninas cobiçava. Por isso é que ao descer caminho de pedras eu buscava, que não leito de areia com suas bocas multiplicadas. Leito de pedra abaixo rio menino eu saltava. Saltei até encontrar as terras fêmeas da Mata.
Ao estudar o lado teórico, escrito por minha professora mesmo em sua tese, a qual trazia um "entrelugar", uma terceira margem como um outro fato acontecido ao ser humano. Uma margem é de onde se parte; e a segunda margem, as quais são as únicas conhecidas, era aonde se queria chegar, mas e o caminho por onde passava o nadador ou navegador? E as braçadas que se dava para atravessar? E o vento que o impedia de ser mais ágil? Essas condições na trajetória tornam o ser MÚLTIPLO. Essa multiplicidade se encaixa na condição do rio, pois, como dizia Heráclito: "Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio". Primeiro, porque as águas são correntes e nunca mais serão as mesmas, e segundo porque você também nunca mais será o mesmo. Isso nos assemelha ainda mais à condição de rio. Mas, para refletirmos, aonde o seu rio irá desaguar? No mar? Num lago? Num córrego? Pense... A nossa segunda margem só será alcançada da forma com que encararmos o nosso "entrelugar" ;D

Um comentário:

Débora Schnek disse...

Nossa Gigi, essa semana eu li As Valkírias, de Paulo Coelho e lá retrata justamente essa situação... Que somos nuvens e descemos ao rio, percorremos ao mar, e retornamos aos céus... A aprendizagem ao longo do caminho, é efemera e a carregamso onde vamos... é linda sobre sua explanação de sermos rio... Sabemos sempre por onde caminhamos... rsrs Adorei que a versão de trasnformação... inovação... vem de encontro ao crescimento... que normalmente temos!